
É sobre esta questão da segurança que quero falar hoje. Uma das razões para as empresas e órgãos do governo (principalmente eles) ter medo de manter apenas arquivos digitais é a vulnerabilidade dos sistemas em que os documentos são produzidos e pela inacessibilidade da maioria deles em poder adaptar tais sistemas consoantes seus interesses e necessidades. Isso porque a maioria utiliza software proprietário, com código-fonte fechado, sem a possibilidade de adaptar os sistemas sem a autorização expressa da empresa fornecedora, mesmo que em alguns casos existam cláusulas contratuais que garantam que a empresa detentora do código tenha de efetuar este procedimento. Entretanto, neste último caso, se não for necessário um embate judicial para garantir o cumprimento desta cláusula, no mínimo o interessado teria de pagar para a empresa realizar o serviço, pagando o que ela pedir e sem ter a liberdade de optar escolher uma concorrente com melhor oferta.
Todo tem assistido anualmente uma atualização freqüente dos sistemas operativos e dos pacotes de aplicativos que nele funcionam. Muitos já se debateram com a inoportuna tarefa de tentar abrir um documento que foi feito num sistema anterior e ter a formatação toda baralhada, ou abrir um documento produzido num sistema operacional “X” num outro sistema operacional, e abrir uma imensidão de números e caracteres desconexos e sem formatação nenhuma. Foi por este motivo que se criou a Open Document Format Alliance, uma organização plural, internacional, que luta, segundo seus objetivos para “(...) educar os elaboradores de políticas, administradores de TI e o público em geral sobre os benefícios e oportunidades do Open Document Format, visando garantir que as informações, registros e documentos governamentais sejam acessíveis através de diversas plataformas e aplicativos, mesmo quando a tecnologia se altera hoje e no futuro”. (Fonte: http://www.br.odfalliance.org/). E seguem com a seguinte explicação: “Conforme os documentos e serviços têm, de forma crescente, se transformado de papel para um formato eletrônico, surge o problema de que os governos e seus constituintes podem não ser capazes de acessar, recuperar e utilizar registros críticos, informações e documentos no futuro. Para permitir ao setor público um maior controle e o gerenciamento direto de seus próprios registros, informações e documentos, a ODF Alliance busca promover e expandir a utilização do Open Document Format (ODF)” (Fonte: Idem).
A Alliance foi lançada em 3 de Março de 2006 com mais de 36 membros de diversos países (veja a lista de membros por regiões). A filiação é aberta a todas as organizações que estiverem comprometidas com os objetivos da Alliance. Atualmente este número aumentou muito e já se contam nas centenas de membros espalhados nos cinco continentes. O Brasil já tem 29 empresas privadas e instituições públicas e não-governamentais como membros do projeto e a trabalhar na produção e discussão e promoção do ODF. Portugal tem 16.
Esta é uma iniciativa que me parece legítima, que deve ser apoiada, divulgada e promovida, principalmente nas esferas governamentais, públicas, universidades, etc., onde os conteúdos e conhecimentos devem estar disponíveis hoje e amanhã, e não podem estar à mercê da boa vontade (se é que existe) de mega corporações que só visam interesses econômicos.
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