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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Briga de Titã com Anão: A Microsoft perdendo espaço para o Gnu/Linux



Alguns anos atrás ninguém diria que a titã Microsoft iria se preocupar com o anão Linux. Hoje, a realidade é bastante diferente. Em pouquíssimos anos o movimento pelo software livre, a Free Software Foundation e o Projecto Gnu/Linux inovaram tanto que começam cada vez mais a ser uma ameaça forte de concorrência. No mês passado, a Microsoft anunciou que não vai mais descontinuar a produção e comercialização do Windows XP Home a partir de Julho, como havia intencionado na época do lançamento do Windows Vista. O motivo: não quer perder a concorrência para o seu principal rival, o Gnu/Linux num determinado sector específico, o dos cada vez mais populares portáteis (Laptops/Notebooks) de baixo custo.

O avanço tecnológico tem propiciado uma corrida frenética no sentido de inovar compulsivamente, aumentando as potencialidades das máquinas disponíveis no mercado, e, consequentemente, dos softwares e aplicativos. O mercado de software é o que mais se desenvolveu, principalmente pela sua característica de desenvolvimento muito mais simplicada do que a de tecnologia de hardwares. Por este motivo, até bem pouco tempo era natural desenvolver um sistema operativo ou aplicativo pensando no hardware que estava por vir. Mesmo que o software não rodasse bem nas máquinas existentes, certamente funcionaria nas novas que seriam produzidas num futuro muito próximo.


Com a necessidade cada vez mais alargada do uso de comunicações mediadas por computadores (e-mail, sites da Internet, etc.), um computador passou a ser um item fundamental para a grande maioria das pessoas modernas, desde um estudante das séries iniciais, até um alto executivo, por outro lado, cada vez mais os usuários básicos, profissionais liberais, estudantes, políticos, etc., estão a se dar conta que para suas necessidades não é preciso o investimento em uma máquina com tanta infra-estrutura de periféricos ou capacidade de memória, e por consequência, de custo elevado. Isso pode ser verificado com o grande sucesso do EeePC, da Asus, um computador ultra portátil que possui apenas as funcionalidades mais comuns de escritório e de comunicação. Ou, também as iniciativas de vários governos, incluindo o brasileiro, de entregar a cada aluno matriculado no ensino fundamental um computador. Logicamente, quanto menor for o custo desse aparelho, mais tende a tornar-se uma realidade presente para todos.


O EeePC e os protótipos de laptops que estão sendo estudados pelo governo brasileiro começaram a ser pensados para rodar Gnu/Linux, pois seria impossível pensar naqueles parâmetros uma tecnologia capaz de rodar o Windows Vista. O Eee PC começou rodando Linux, mas agora tem também o Windows XP como opção.

Para manter sua presença nesses computadores de baixa memória, a Microsoft tinha basicamente três opções. Poderia lançar alguma variante do Windows Mobile para eles. A empresa já tentou isso no passado com o Windows CE, mas não deu muito certo. Os usuários queriam os aplicativos que rodam no Windows XP (que não rodam no CE). Outra opção era enxugar o Vista para ele rodar nesses dispositivos. Já há gente trabalhando nisso na Microsoft, mas esse é um projecto demorado e de resultados incertos. A terceira opção era prolongar a vida do Windows XP. Considerando a boa aceitação do XP no mercado, essa alternativa faz sentido.


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Isso não indica que a Microsoft vai vencer a concorrência e vai suplantar o Gnu/Linux, mas anuncia que o cerco está ficando cada vez mais fechado, e que a pequena sombra que não amedrontava o gigante já começa a determinar alterações nos planeamentos da mega-empresa e pode mesmo pré-anunciar a sua perda de hegemonia absoluta dentre poucos anos.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Ubuntu: Tecnologia para Seres Humanos


Muita gente reclama que gostaria de experimentar a usar Software Livre, ter um computador livre, mas não sabe por onde começar. Assustam-se com o medo antecipado de deparar-se com uma plataforma que não esteja totalmente gráfica. Isso é coisa do passado. A última versão do Ubuntu está tão boa e gráfica, quanto muitos softwares proprietários disponíveis no mercado. Ah! E não se pode esquecer de salientar o detalhe, não está no "mercado", pois é completamente gratuíto.

Uma dica, para quem quer começar a trabalhar com o Linux, e operar com um sistema operativo totalmente livre e com uma filosofia maravilhosa, pode iniciar com o Ubuntu. Eu, particularmente iniciei e continuei. Até hoje uso o Ubuntu, promovo, divulgo e recomendo.

O que é o Ubuntu?

"Ubuntu" é uma antiga palavra Africana, cujo significado é "humanidade para todos". Ubuntu também quer dizer "E sou o que sou devido ao que todos nós somos". A distribuição Ubuntu Linux traz o espírito do Ubuntu ao mundo do software. O Ubuntu é um sistema operativo completo baseado em Linux, livremente disponível, com suporte tanto da comunidade quanto profissional. É desenvolvido por uma vasta comunidade e nós convidamo-lo a participar também!




A comunidade Ubuntu está fundada nos ideais consagrados no manifesto Ubuntu segundo o qual: .
as aplicações informáticas devem ser disponibilizadas de forma gratuita, que as aplicações deverão ser usadas por qualquer pessoa independentemente da sua linguagem materna e todas as pessoas devem ter a liberdade de alterar e personalizar qualquer aplicação de modo a obterem o que elas necessitam.
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Por estes motivos:
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  • O Ubuntu será sempre gratuito e não existe custo extra para a "edição empresarial" nós disponibilizamos o nosso melhor produto sob os mesmos termos de Liberdade.

  • O Ubuntu vem com suporte profissional em termos comerciais de centenas de companhias em todo o mundo, se precisar desses serviços. Cada versão do Ubuntu recebe actualizações de segurança durante 18 meses depois de cada lançamento, algumas versões são suportadas por mais tempo.

  • O Ubuntu inclui a melhor infra-estrutura de suporte a traduções e acessibilidade que a comunidade de aplicações informáticas livres ("Free Software") tem para oferecer, de modo a tornar o Ubuntu utilizável pelo maior número possível de pessoas.

  • O Ubuntu é lançado de modo regular e previsível; todos os seis meses é lançada uma nova versão. Pode utilizar a versão estável corrente ou a versão que está actualmente em desenvolvimento. Cada versão é suportada, pelo menos, durante 18 meses.

  • O Ubuntu é totalmente aderente ao princípio do desenvolvimento de aplicações informáticas livres; encorajamos as pessoas a usar aplicações informáticas de código fonte aberto, a melhorar essas aplicações e a disponibilizarem-nas a outras pessoas

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Saiba mais visitando as páginas do Ubuntu Brasil e Ubuntu Portugal

Se depois de ler, inteirar-se e ficar convencido que vale la pena testar o Ubuntu, faça pela maneira mais simples`, utilize um CD-Rom, conforme as instruções e dê boot no sistema pelo CD-Rom Drive e utilize as principais funcionalidades de todo o sistema operacional.

Se resolver instalar o Ubuntu no seu computador, num sistema dual-boot, ou seja, de duas inicializações, para ter o Windows e o Linux, minha sugestão é instalá-lo à partir do Windows, se este já estiver a operar, através de um programinha que pode ser baixado, muito leve, e que faz todo o processo em modo gráfico, cria uma nova particão de forma segura no seu disco rígido para alojar o Ubuntu, e instala o sistema reconhecendo todos os perifèricos de seus computador. Utilize para isso o WUBI.




Esse dispositivo tem suporte de idioma para Português Standard (Portugal) e Português Brasileiro. Escolha o idioma, identifique um utilizador (tudo em minúsculas), introduza uma senha e depois o instalador fará tudo sozinho. Fique tranquilo, é estremamente seguro. Caso se arrependa (que espero nãoa contecer), poderá sempre desinstalar o Ubuntu pelo Windows no menu Adicionar/Remover programas.

Experimente!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Urnas eletrônicas terão sistema operacional Linux nas eleições

O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral decidiu, na sessão administrativa do último dia 13, autorizar a substituição do sistema operacional VirtuOS e Windows CE de todas as 430 mil urnas eletrônicas, pela versão de software livre Linux, a ser desenvolvida pela equipe técnica do próprio Tribunal. O objetivo é conferir mais transparência e confiabilidade à urna eletrônica e ao processo eleitoral. O novo sistema estará em vigor nas próximas eleições municipais, em 2008.

A Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) sugeriu a adoção de um sistema operacional baseado em software livre, adaptado para a urna eletrônica e que seja de propriedade da Justiça Eleitoral. A intenção é facilitar a auditoria do sistema operacional por parte dos interessados em se certificar que todos os sistemas são confiáveis e seguros, diminuir os custos de aquisição de novas urnas eletrônicas em virtude da utilização de um sistema operacional gratuito e, ter um único sistema operacional para simplificar e diinuir o custo de desenvolvimento, testes e homologação dos sistemas das urnas eletrônicas.

A equipe técnica do TSE, desde 2002, vem realizando testes para viabilização de uma solução de código aberto. Foi escolhido o sistema operacional Linux, software código-aberto (Open Source) cujo núcleo vem sendo desenvolvido e aprimorado desde 1991, quando o seu criador disponibilizou o código na Internet. Várias empresas como IBM, HP, Intel, Dell, entre outras, têm investido em código aberto. Atualmente existem mais de 450 distribuições diferentes no mercado. Segundo a Secretaria, as vantagens da utilização do Linux na urna eletrônica são: padronização, pois é possível utilizar o sistema operacional Linux em todos os modelos de urna; transparência, por se tratar de um sistema operacional aberto, todo código-fonte está disponível ao público em geral e pode ser auditado livremente; independência, já que o desenvolvimento será realizado pela própria equipe técnica do TSE, não haverá dependência de fabricante ou fornecedor, muito menos haverá pressões mercadológicas para atualização de versão, nem dependência de políticas de licenciamento e suporte, como ocorre hoje.

Outros aspectos positivos são: a confiabilidade; o custo zero, pois não há pagamento de propriedade intelectual e de direitos autorais, pois não requer qualquer licença; e sua adaptação às necessidades da Justiça Eleitoral, uma vez que conterá somente o necessário para o funcionamento da urna. A manutenção ou qualquer alteração poderá ser feita internamente e com muita rapidez, sem a necessidade de intervenção do fabricante ou fornecedor.

Essa substituição, por fim, aumentará a credibilidade das eleições, pois a substituição dos atuais sistemas operacionais utilizados por Linux é um fator facilitador para apresentação do sistema na íntegra, incluindo o núcleo, sem as dificuldades impostas pela propriedade intelectual dos criadores.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Fabricando uma sociedade melhor: um outro mundo possível!


Estava a visitar o blog do amigo Sérgio Amadeu e me deparei com essa foto nada mais que emocionante. Um grupo de senhoras da terceira idade, no SESC Pompéia, a aprender informática utilizando GNU/Linux.

Segundo Sérgio: “Esta foto foi tirada pela Alexsandra Bentemuller no Sesc Pompéia. Lá vários grupos de pessoas da terceira idade aprendem a usar GNU/Linux. ALexsandra foi minha orientanda na pós-graduação da Cásper Líbero. Sua pesquisa apontou "A nova face da velhice: a relação da terceira idade com o computador e a internet. Aprendi muito com este trabalho que mudou bastante minha concepção sobre o aprendizado e sobre a capacidade de sonhar e projetar um mundo melhor.”

De fato fico a pensar nessas pessoas que não temem as novidades e se projetam a enfrentar novos desafios. Foi no contato de algumas experiências como esta que no ano de 2000 me lancei a estudar esta temática do software livre. Foi ao observar pessoas assim, que não param no tempo e nas dificuldades e agruras da vida. Foi ao ver experiências de alguns rapazes que trocaram as ruas e o tráfico para aprender informática nos telecentros de São Paulo, de mulheres de mais de 60 que realizaram seus antigos sonhos de escreverem seus livros de poesia, de pais de família que puderam se capacitar profissionalmente através dos projetos de inclusão digital livre, que comecei a notar uma nova sociabilidade se difundindo. Um coletivo de pessoas a produzir coletivamente uma nova relação com o conhecimento, mais criativa, colaborativa e livre.

Esta foto também me faz pensar nos momentos de fraqueza em que nós “jovens”, às vezes tão envelhecidos diante da velocidade que as coisas acontecem na atualidade, desanimamos muito fácil de nossos ideais. Nossos desânimos diante de pequenas dificuldades e nossos medos de enfrentar os desafios de nosso próprio tempo tem de ser afrontado com atitudes como as dessas senhoras da terceira idade. Tal grupo não está apenas se auto-produzindo, mas criando uma sociedade melhor: um outro mundo possível!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Guía Práctica sobre Software Libre, su selección y aplicación local en América Latina y el Caribe





Conforme prometido, segue o conteúdo na íntegra (em espanhol) da publicação da UNESCO, "Guía Práctica sobre Software Libre, su selección y aplicación local en América Latina y el Caribe".


Parece ser um ótimo material. Ao menos é uma raridade sobre o tema. Ainda não posso expressar nenhuma opinião porque não tive tempo de explorá-lo. Na medida que o fizer, vou tecendo comentários.




sexta-feira, 16 de novembro de 2007

90 mil computadores com Software Livre para escolas públicas brasileiras


Bons ecos começam a ressoar após a 4ª Conferência Latino-Americana de Software Livre (Latinoware 2007), que se encerrou neste último dia 14, em Foz do Iguaçu –PR. Foi divulgado durante o evento, pelo gerente de Inovações Tecnológicas do Ministério do Planejamento, Sr. Corinto Meffe, que o governo federal começou a distribuir 90 mil computadores com software livre a escolas públicas de todo o país. Segundo as informações avançadas pela Agência Brasil, da Radiobrás, os computadores foram comprados com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC) e somarão aos 50 mil já distribuídos, acelerando o processo de informatização na educação no país.

Segundo Meffe, o governo vê o uso de software livre como uma “questão quase obrigatória”, pelas vantagens que traz para o setor público, pela transparência e até mesmo como política de continuidade de programas governamentais. “Funciona como proteção para o cidadão, mas o bom é hoje chegar nas empresas, academias, terceiro setor, na casa do cidadão comum, e perceber que todo o país está despertando para a importância desse sistema” (Agência Brasil).

Meffe ainda destacou outras ações do governo federal brasileiro no sentido de promover o uso de software livre, dando exemplo de um projeto da Caixa Econômica Federal (CEF) que pretende para migrar todas as máquinas das casas lotéricas para programas de código aberto e outro dos terminais de auto-atendimento do Banco do Brasil que deverão seguir o mesmo caminho. Adiantou ainda que o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) já economiza R$ 19 milhões com a adoção do software livre e a Previdência Social, R$ 27 milhões. A Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) possui uma estrutura de aproximadamente 500 servidores (computadores que cuidam da logística da empresa) que usam software livre.

O Brasil de fato está na frente no que se trata de apostar em tecnologias livres e mostrando ao mundo todo a sua viabilidade. Pena que sempre que se apresentem dados, toda a linha de argumentação centra-se apenas nas vantagens econômicas, obscurecendo todas as demais vantagens que todos nós sabemos que o software livre proporciona. Gostaria muito de que os gestores nacionais se preocupassem também em divulgar à sociedade brasileira as vantagens do ponto de vista da justiça cognitiva e da inclusão social que o código-aberto proporciona em comparação com o código-fechado. Espero que o meu trabalho possa contribuir neste sentido, e é por isso que luto. Enquanto isso, já é grande coisa poder rejubilar-se com essas boas notícias.

Publicação da UNESCO sobre Software Livre na América Latina e Caribe

Jornais dos mais diferentes gêneros divulgaram nos dias 13, 14 e 15 que a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lançou no último dia 13 de novembro (2007) na cidade de Foz do Iguaçu, uma publicação interessantíssima intitulada “Guia Prático sobre Software Livre – Sua Seleção e Aplicação na América Latina e no Caribe”. O material, de autoria de Fernando da Rosa e Frederico Heinz está publicado em espanhol. Infelizmente fiz uma busca desesperada pela net e no Site da UNESCO para tentar acessar ao conteúdo do material, mas não tive sucesso. Segundo informação da Agência Brasil, que fora a principal fonte da informação multiplicada posteriormente por vários sites e jornais, o objetivo dos autores é atingir todas as pessoas que buscam uma introdução sobre o tema do software livre, servindo também para aqueles que já possuem alguma experiência no assunto. Além de apresentar alguns estudos sobre o software livre, de suas potencialidades, também fornece informações para os interessados que desejarem experimentar as ferramentas de código-aberto e/ou migrar de sistemas operacionais, sugerindo a maneira mais adequada para cada perfil. Gostaria muito de poder ter lido o conteúdo do material, mas até o presente momento não foi possível. Se algum leitor conseguir alguma indicação, agradeceria que me fosse facultada.Assim que conseguir mais detalhe ou o link para o conteúdo completo, comprometo-me a divulgá-lo neste espaço. Por enquanto resta-me apenas deixar a dica para os mais interessados no tema.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

CONISLI 2007

Vai acontecer entre os dias 09 a 11 de Novembro/2007, em São Paulo, em segunda edição, o CONISLI - Congresso Internacional de Softwa Livre. Este é um importante evento que conta com o apoio das principais instituições do Software Livre mundial. Veja abaixo a grade temária do evento, consulte a programação por dia e visite o site oficial para saber mais informações.

Site oficial do Evento: http://www.conisli.org/index.new.php.

A Organização do evento liberou hoje a grade de palestas para os 3 dias de evento.

Confira abaixo:

Abaixo a grade temária dos mini-cursos:

terça-feira, 6 de novembro de 2007

PROJETO DE LEI

Caros amigos que apoiaram, coloco abaixo o projeto de lei final que será apresentado pelo Deputado Paulo Teixeira. Grande abraços,
Adalto.

PROJETO DE LEI Nº , DE 2007
(Do Sr. PAULO TEIXEIRA e outros)



Dispõe sobre uso do Fundo Setorial para Tecnologia da Informação - CTInfo para financiar o desenvolvimento de software livre.


O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º Esta lei dispõe sobre uso do Fundo Setorial para Tecnologia da Informação – CTInfo, criado pela Lei nº 10.176 de 11 de janeiro de 2001, para financiar o desenvolvimento de software livre.

Art. 2º Vinte por cento (20%) dos recursos do Fundo Setorial para Tecnologia da Informação - CTInfo devem ser destinados ao desenvolvimento de software livre, incluindo
soluções embarcadas e sistemas que integram componentes já existentes.

Art. 3º Para os efeitos desta Lei, considera-se:

I - Software: programa de computador. Sequência de instruções a serem seguidas e/ou executadas, na manipulação, redirecionamento ou modificação de um dado/informação ou acontecimento.

II - Software livre: qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado, modificado e redistribuído livremente, desde que as alterações efetuadas mantenham-se com a mesma licença do software original. A maneira usual de distribuição de software livre é anexar a este uma licença de software livre, e tornar o código fonte do programa disponível.

Art. 4º Poderão solicitar o financiamento, a qualquer tempo, combinando recursos reembolsáveis e não-reembolsáveis, empresas, universidades, institutos tecnológicos, centros de pesquisa, cooperativas e outras instituições públicas ou privadas, inclusive comunidades de desenvolvedores, através de editais lançados pelo CTInfo.

Art. 5º Os projetos de software livre deverão ser aprovados por um conselho instituído por portaria do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), com participação majoritaria de membros da comunidade de software livre (mínimo de duas cadeiras).

Art. 6º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.


JUSTIFICAÇÃO
A proposta deste projeto de lei é fomentar o desenvolvimento de programas de computador sob a filosofia do Software Livre. Esses softwares são produções intelectuais de propriedade coletiva e criados de forma colaborativa por meio da rede mundial de computadores, a Internet. Seu modelo de licenciamento exige que o código-fonte seja aberto e não restrija sua livre cessão, distribuição, utilização e alteração de características originais.
O CTInfo - Fundo Setorial para Tecnologia da Informação destina-se a estimular as empresas nacionais a desenvolverem e produzirem bens e serviços de informática e automação, investindo em atividades de pesquisas científicas e tecnológicas. Reservar 20% dos recursos do fundo para garantir a forte indução de projetos de pesquisa na área de Software Livre trará enormes beneficíos para a sociedade brasileira:

1 - Questão economica:

As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) são cada vez mais importantes na vida das pessoas e das empresas. Ao depender de soluções fechadas, pagamento licenças proprietárias, o país fica refém de poucas empresas, em maior parte multinacionais. Apenas como exemplo, um pacote simples (com sistema operacional, editor de texto e planilha proprietários) custa hoje, para cada computador, em média US$500,00 - e não pode ser copiado, distribuído ou alterado, ficando a critério do fabricante o período de manutenção e a determinação da vida útil dos mesmos.
Já o sistema operacional livre GNU-Linux e o pacote BrOffice.org, por exemplo, podem ser obtidos gratuitamente através da Internet, podendo ser reproduzido quantas vezes for necessário.
Com adoção maciça de Softwares Livres no Brasil, o país deixaria de enviar uma quantidade significativa royalties e licenças para o exterior, sobrando verbas públicas e privadas para o investimento em áreas de interesse social, como programas de inclusão digital, modernização e desenvolvimento tecnológico.

2 - Transparência e segurança

O acesso irrestrito ao código-fonte do programa traz para ao cidadão brasileiro não só a vantagem de ter maior liberdade de utilização, modificação e distribuição de acordo com suas necessidades, mas também maior transparência e segurança. Isso porque, ao contrário do que ocorre hoje com os programas de código fechado, seu funcionamento pode ser melhor acompanhado e aperfeiçoado por técnicos brasileiros, não havendo "segredos" de conhecimento exclusivo da empresa proprietária. Ou seja, quando houver algum problema no funcionamento do programa, este pode ser identificado claramente, reduzindo o risco de fraudes ou panes de origem desconhecida.

3 - Vantagens técnicas

A adoção deste tipo de programa facilita o prolongamento da vida útil da base instalada de microcomputadores. É sempre bom lembrar que, em média a cada dois anos, as pessoas e organizações têm que trocar seus programas por versões mais atualizadas e seus microcomputadores por outros mais modernos e potentes para poderem utilizar as versões mais atualizadas destes programas. Estas versões novas dos produtos – chamadas updates –, que muitas vezes requerem troca de componentes - chamadas upgrades - são responsáveis por parte significativa dos custos que uma empresa, pessoa física ou órgão público tem quando está informatizada e necessita acompanhar as inovações deste setor.
O acesso ao código fonte e a participação no desenvolvimento de softwares livres propiciam aos desenvolvedores brasileiros o contato direto e efetivo às mais modernas tecnologias desenvolvidas no mundo todo, disseminado este conhecimento em nosso país e elevando o grau de sofisticação tecnológica dos produtos de software desenvolvidos no Brasil.
Este desenvolvimento colaborativo se mostra ainda como uma excelente oportunidade para a divulgação internacional da competência técnica e da capacidade que os profissionais brasileiros têm de desenvolver programas de computador alinhados ás principais tendências tecnológicas do mundo todo.
Como o modelo econômico do software livre tem como base a prestação de serviços, a utilização internacional de software livre desenvolvido no Brasil apresenta-se ainda como uma oportunidade para expandir a exportação de serviços em TIC para o mundo todo.

4 - Uma alternativa que dá certo no mundo inteiro

Há mais de quinze anos discute-se em todo o mundo a livre manipulação dos programas de computador. Até há pouco tempo era impossível usar um computador moderno sem a instalação de um sistema operacional proprietário, fornecido mediante licenças restritivas de amplo espectro. Ninguém tinha permissão para compartilhar programas livremente com outros usuários de computador, e dificilmente alguém poderia mudar os programas para satisfazer as suas necessidades operacionais específicas.
Hoje, a realidade é diferente. Os sistemas que estamos propondo são usados por milhões de pessoas, de forma livre, no mundo inteiro. Há um incontável número de empresas que o adotaram, entre elas as gigantes multinacionais Mercedes Benz, General Motors, Boeing Company, Sony Electronics Inc., Banco Nacional de Lavoro da Itália, Chrysler Automóveis, Science Applications International Corporation (indústria de armamentos) e os órgãos públicos Agência Nacional de Armamentos dos EUA, Marinha Norte-Americana (USA Navy), Correios Norte-Americanos (United States Postal Services), Agência Espacial Norte-Americana (NASA), Departamento de Estado dos Estados Unidos, entre outras, que optaram pelo uso de programas livres.
Em todos os setores da sociedade estes programas têm revolucionado o mundo da informática. Os governos de diversos outros países, entre os quais Alemanha e China, já adotaram política de uso de programas livres em seus organismos governamentais. No entanto, nenhum outro país avançou tanto no Software Livre quanto o Brasil, como mostram os resultados do projeto Free Libre Open Source Software (FLOSSWorld), desenvolvido pela Uniăo Européia e que contou com a parceria de 17 organizaçőes em 12 países. Quase 100% dos órgãos do Governo Federal do Brasil utilizam Software Livre de alguma forma. Há também experiências nos principais Estados e Prefeituras, e em grandes empresas como Votorantim, Casas Bahia, Petrobras e Banco do Brasil.

Conclusão

A aprovação desta Lei mostra a preocupação e o empenho do legislador com a autonomia tecnológica, com a evolução científica em nosso país e com a melhoria da qualidade de vida do conjunto da população, contribuindo assim para acabar com os instrumentos de agravamento da exclusão social. Precisamos criar condições concretas para que a juventude brasileira e nossas empresas, públicas e privadas, possam desenvolver tecnologia de fato.
O Congresso Nacional dará também uma importante contribuição ao desenvolvimento econômico, permitindo que pequenas empresas, voltadas para produção, desenvolvimento e suporte de programas livres sejam criadas e desonerando os cofres públicos da transferência de recursos para o exterior.
É, enfim, por estes motivos que contamos com o apoio dos nobres deputados e deputadas para a aprovação deste projeto, regidido em parceria com a comunidade brasileira de Software Livre. Colaboram: Acires Gambeta Guesser, Adalto Guesser, Antonio Terceiro, Carlinhos Cecconi, Celso Guilhermino de Faria, Criziani Machado Felix, Deivi Lopes Kuhn, Edson Cândido Pereira, Felipe Machado, Geisa Lourenzo, Herculano Artulino Guesser, Isabelli Nogueira, João Cassino, Jomar Silva, Júlio Neves, Livia Sobota, Marcelo Marques, Marcus Abilio Pereira, Maria do Rosário Múrcia dos Santos, Mário Teza, Pedro A. D. Rezende, Ricardo Bimbo, Rodinéia Aparecida Bristolf, Rodolfo Avelino, Rubens Queiroz de Almeida, Sergio Amadeu da Silveira, Sérgio Rosa, Teresa Cunha, Vicente Aguiar e Wagner Meira Jr.

domingo, 14 de outubro de 2007

Pra não dizer que não falei das flores! Programas em ODF e Distros GNU/Linux


No dia 12 deste mês postei um texto intitulado “Sopa de letrinhas e "Open Document Format Alliance", a falar sobre os benefícios da ODF em relação aos formatos proprietários. Ontem o amigo Nuno mandou-me um link, que por sinal já conhecia, mas que resolvi partilhar neste blog, como exemplo de tecnologias livres baseadas em formato ODF, que podem ser baixadas e instaladas em qualquer computador, serem testadas e produzirem documentos em formato livre.

Trata-se do conjunto de aplicativos Lotus Symphony, da IBM. São três programinhas disponíveis que podem ser baixados livremente e individualmente conforme o seu interesse e necessidade. São, por ora, os mais utilizados nos pacotes Office em geral, tanto das marcas proprietárias, como das open sources, ou seja, um editor de texto (IBM Lotus Symphony Documents), uma planilha de cálculos (IBM Lotus Symphony Spreadsheets) e um editor de apresentação multimídia (IBM Lotus Symphony Presentations).
Aos poucos irei partilhando opções livres neste blog. São muitos, graças a enorme rede de hackers mundial.

O diálogo com o Nuno iniciou um questionamento sobre qual é o melhor pacote de distribuição Linux em português para usuários domésticos. Em resposta, sugeri o Caixa Mágica, uma distribuição genuinamente portuguesa de ótima qualidade, com fácil suporte técnico e produzida por uma equipe extremamente comprometida e responsável. Existem outras em português, como o famoso Ubuntu, uma das distro mais utilizadas em todo o mundo por usuários não técnicos, com interfaces muito amigáveis e similares aos padrões gráficos do "Ruwindos", ganhando, entretanto e obviamente, na eficiência e na portabilidade e no tamanho (muitíssimamente mais leve que o Windows). Este último possui uma equipe de hackers portugueses a trabalhar intensamente para produzir constantemente as traduções para o português lusitano, e você também poderá optar pelo português do Brasil, ou manter os dois dicionários nos aplicativos de escritório (OpenOffice e BrOffice). Por falar em dicas, estão aí mais duas ótimas soluções de pacotes de aplicativos livres e gratuítos, inclusive podendo rodar no sistema operacional Windows sem nenhum problema.

O processo de escolha envolve alguns passos importantes, mas que podem ser reversíveis e sem traumas. Garanta sempre, antes de iniciar qualquer teste de um novo programa (principalmente sistema operacional), de fazer um back-up de todo o seu conteúdo. Estas duas opções de distro que citei tem a incrível vantagem de poderem ser baixados pela internet em poucos minutos, gravados em um CD-Rom (ou DVD-Rom), e antes mesmo de instalar o software no seu computador definitivamente, podem ser testados a partir de boot pelo drive CD/DVD de seu computador. Depois pode ser utilizado desta forma pelo tempo que quiser, com quase todas as funcionalidades do sistema operacional e dos aplicativos que ele comporta. Uma vez que estiver convencido das suas potencialidades e desejar realmente instalá-lo no seu computador, o processo de instalação no disco rígido é muito simples e auto-instrutivo. O próprio sistema de instalação realiza uma partição do disco, mantendo o sistema operacional original, cria uma segunda (ou terceira) partição com o sistema GNU/Linux e pronto! Depois é só optar por qual sistema operacional vai quer utilizar a cada inicialização.

You're not locked into proprietary file formats, software licensing agreements and upgrades. Finally, free tools and freedom of choice!

Então, experimente!

P.S.: Thanks for Nuno.